Reportagem

Leiloeiros agem fora da lei e ainda exigem respeito!

              O Direito de Resposta que este blog publica a pedido de leiloeiros ligados ao dono da Vip Leilões, Vicente de Paulo Albuquerque Costa Filho, é tão esdrúxulo quanto a entidade ilegal que ele fundou e preside, a Aleibras – Associação da Leiloaria Oficial do Brasil

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              Irritados com a grande repercussão da reportagem “Máfia de Leiloeiros se Alastra pelo Brasil” – a matéria já alcançou mais de 50 mil visualizações na página do Facebook, mais de mil pessoas a compartilharam e quase 300 postaram comentários endossando as denúncias –; pregoeiros dispararam dezenas de e-mails à esta repórter “exigindo” direito de resposta. Ele está publicado abaixo.

              Os pedidos vieram “embasados” por notificações extrajudiciais e provêm de profissionais que rezam pela cartilha do dono da Vip Leilões, Vicente de Paulo Albuquerque. A Vip encabeça o ranking das empresas acusadas de lesar o consumidor; seguida pela Loop e o Palácio dos Leilões. Vicente de Paulo é fundador e presidente da Aleibras – Associação da Leiloaria Oficial do Brasil, uma entidade clandestina, ilegal.

             A existência da Aleibras fere frontalmente o Decreto 21.981, de 1932, que regulamenta a profissão. De acordo com o parágrafo 2º, do artigo 36 desse decreto – ele continua em vigor –, o leiloeiro é proibido de constituir sociedade de qualquer espécie ou denominação. E se assim o fizer, deverá ser destituído da categoria. Pelo menos até a edição desta matéria, as legislações subsequentes não haviam alterado tal proibição.

              Os leiloeiros citados na reportagem que culminou nos pedidos de Direito de Resposta são acusados por arrematantes de veículos, de venderem carros clonados, com bloqueios judiciais, chassis remarcados, dívidas em aberto, dentre outras fraudes. As denúncias de centenas de vítimas podem ser verificadas em sites da web, a exemplo do Reclame Aqui; Delegacias de Defesa do Consumidor, Procons e Ministério Público do Brasil inteiro.

                Quando os leilões de veículos obedecem aos ditames das leis, são uma excelente opção para quem quer comprar carros até 60% mais barato que o preço praticado no mercado convencional. Mas alguns leiloeiros – meros vendedores, diga-se de passagem –, ocultam as placas dos arrematantes, alegando que agem assim para proteger o consumidor. A artimanha é ilegal, inconstitucional, criminosa e desacredita o sistema de vendas.

           Leiloeiros admitem crime: ocultamos as placas!

             Esconder do comprador a placa do veículo beneficia apenas uma pessoa: o leiloeiro desonesto que por meio do artifício criminoso pisoteia as leis que rezam justamente o contrário: a Constituição Federal e o Código de Defesa do Consumidor determinam o direito à informação e ordenam a transparência nas relações de consumo.

                   Com a desculpa esfarrapada de que querem proteger comitente e arrematante, eles ocultam as placas e passam por cima de leis que dizem justamente o contrário. Vale ressaltar que em lugar algum do mundo ocultar informações beneficia a maioria. Ao contrário; favorece apenas pequenas oligarquias que, por meio da fraude, se enriquecem ilicitamente.

           A versão dos leiloeiros é publicada agora na forma de “Direito de Resposta”, via notificação extrajudicial, porque quando esta repórter conversou com o dono da Vip Leilões e presidente da clandestina Aleibras, Vicente de Paulo usou parte dos 49 minutos de entrevista gravada para, em princípio, tentar comprar esta jornalista oferecendo-lhe dinheiro para esquecer o assunto.

                Diante da recusa desta repórter em aceitar a propina, Vicente de Paulo gastou o resto do tempo para tentar convencê-la de que os editais dos leiloeiros é que ditam as regras do negócio na compra de veículos. Pela visão distorcida dele, os editais seriam uma espécie de poder acima de todas as leis brasileiras, incluindo aí a Constituição Federal, Código de Defesa do Consumidor, Código Civil; o próprio Decreto 21.981, de 1932, e as legislações subsequentes.

                  O presidente da Aleibras, Vicente de Paulo, terminou a entrevista sem apresentar o direito de resposta da associação ilegal que fundou e representa – a versão é publicada agora a pedido. O dono da Vip, a campeã de denúncias de fraudes contra os arrematantes, optou por ameaçar a repórter, ora de expulsão, ora de prisão, enquanto vociferava: “Eu sou muito influente; o Judiciário é a minha casa?!”

Leiloeiros que assinam o Direito de Resposta e admitem ocultar placas 

Carlos Adriano Solano dos Santos Pinho (AL)
Célia Maria Campos Cardoso (PA)
César Augusto Aragão Pereira (PE)
Conceição de Maria Costa Lopes (AM)
Cristiane Barros da Mota Balbino (AL)
Erico Lages Soares (PI/SP)
Erico Sobral Soares (CE)
Fábio Gomes Pietoso (RS)
Francisco de Assis Costa Aranha (MA)
Francisco Doege Esteves Filho (RN)
Gustavo Chaves Lages Rebelo (MA)
Josecelli Kildare Fraga Gomes (BA)
José Henrique de Moura Ferro Frazão (MA)
Luciano Resende Rodrigues (PE)
Marina Lima Frazão (MA)
Paulo Mario Lopes Machado (SC)
Roberta Albuquerque (PE)
Roberto Costa Garcia (PE)
Roque André Soares Baroni (RJ)
Rosa Lúcia Lopes Carstens (SC)
Rudival Almeida Gomes Júnior (BA)
Saulo Barbosa Catão Segundo (CE)
Tassiana Menezes (RJ)
Wirna Campos Cardoso (PA)

3 Replies to “Leiloeiros agem fora da lei e ainda exigem respeito!

    1. O primeiro passo é você ter o nome do leiloeiro completo para verificar se ele está cadastrado na Junta Comercial do Estado onde atua. Verifique junto ao Procon, à Decon e ao site Reclame Aqui se a empresa contabiliza muitas denúncias por lesões ao consumidor. Por último, insista em verificar a placa do veículo antes da compra. Se lhe negarem esse direito, procure outro leilão para não amagar prejuízos graves. Espero tê-lo ajudado.

  1. Rudival e Vicente são socios na VIP Leições, e Roque André é amigo dos dois, tanto que foi Rudival que pagou o curso para ele ser leiloeiro… O filho de Roque Andre era gerente do patio da VIP em Simões Filho/BA, depois foi transferido para trabalhar no empresa CredMobile em Curitiba, outra empresa de Rudival. Uma mafia só.

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